Pesquisa de lançamento de App de Engenharia e gestão de obras 🏗️
A história de um Discovery de lançamento de produto
Como chegou
Um engenheiro entrou em contato comigo via Linkedin perguntando sobre a escala Likert e como ela poderia ser utilizada para testar os conhecimentos de um público para um formulário de pesquisa quantitativo.
O aplicativo ainda não existia, seu objetivo era saber o grau de conhecimento do público em relação a recursos para gestão de obras e se havia demanda para o produto.
Nós conversamos e eu me comprometi a orientá-lo nas etapas de pesquisa. Minha resposta em relação a pergunta sobre o uso da escala é que valeria a pena fazer um bom formulário de pesquisa quantitativo rico em tipos de perguntas a fim de explorar a hipótese principal do projeto.
O projeto
Quando o plano de pesquisa não foi estruturado devidamente, um erro comum é tentar moldar a matriz com base no que foi encontrado na pesquisa secundária e na conversa com a liderança, projetando uma solução antes de explorar o cenário do problema.
Nós então tivemos nossa primeira mentoria, foi quando avaliamos a Matriz CSD. Minha análise inicial foi que as suposições estavam muito amplas e as certezas enviesadas.
Eu aconselhei-o a fazer uma pesquisa qualitativa antes de avançar, entrevistando pelo menos 3 pessoas do público.
Além disso, orientei em como ele poderia fazer isso através de um roteiro simples de pesquisa semiestruturado e algumas orientações de como não fazer perguntas enviesadas seguindo as dicas do “Teste da Mãe”.
A pesquisa qualitativa
As entrevistas foram super ricas para melhorar a definição das hipóteses. Com elas, perguntas novas foram formuladas sobre tudo o que envolve o dia-a-dia de gestão de uma obra em um canteiro de obras.
O dia-a-dia e os desafios na hora de executar o plano de obra estavam mais claros, mas o tempo era curto e então retornamos à Matriz CSD. Um ponto se destacou como descoberta nas entrevistas:
Boa parte do trabalho de documentação do relatório da obra, RDO, ainda é bastante analógico,
o que indica uma boa oportunidade de aplicação da tecnologia. Mas, se o meio é tradicional, estariam os engenheiros e as empresas do segmento de construção prontos para receber e fazer uso de um aplicativo no dia a dia do trabalho?
O formulário
Seguimos para o desenho do formulário pensando em lógicas de perguntas que considerassem as variações presentes nos diferentes cenários.
Boa parte tinha a ver com:
- Porte da obra
- Tamanho e estrutura das empresas
- Tamanho da equipe, se a obra contava com o apoio de um estagiário na ponta ou apenas com um mestre de obras
- Quem era responsável por preencher o diário de obra dentro da equipe
- Que tipo de ferramenta era usada na rotina e para documentar e enviar medições ao engenheiro-chefe.
- Qual era a importância do RDO no resultado da obra.
- Quando e como o engenheiro responsável pela obra fazia o relatório.
Enfim, todo o tipo de pergunta relacionada à gestão. Na prática estávamos explorando a pergunta levantada no nosso dia 1 de projeto:
Qual era o grau de letramento digital e familiaridade do público na hora de buscar soluções de engenharia?
- O que os engenheiros identificavam como problema?
- Quais eram os gargalos de execução da obra?
- Atrasos eram comuns nesse cenário?
- E aumento no orçamento inicial?
- Existe dificuldade na gestão dos recursos como insumos e materiais?
- Qual é o problema ou questão principal?
As Descobertas
Atualizamos o nosso plano de pesquisa para relatar o que foi descoberto. Nós descobrimos os seguintes dados e informações:
Dado 1. Potencial do mercado
72% das construtoras (Mundo) consideram a transformação digital das empresas uma prioridade, mas apenas 58% das empresas caminham para essa transformação. 28% delas estariam no meio do processo e 13% podem ser consideradas maduras em relação à adoção de novas tecnologias.
Fonte: Pesquisa, IDC, Transformação Digital: O Futuro da Construção Conectada .
Informação 1: Comportamental
2 entre 3 Engenheiros chefes de obras de grandes empreendimentos que foram entrevistados relataram viajar bastante e geralmente ter mais de uma obra rodando paralelamente. Costumam se comunicar com gerente de obra e financeiro e alguns usam o Microsoft Project como ferramenta de gestão.
Informação 2: Protocolar
Todos os entrevistados citaram o RDO. Grandes obras levam muito a sério o RDO, ele é um documento fundamental para relatar o avanço físico e é assim que as grandes construturas ganham dinheiro com 70% do avanço da obra. Ou seja, quanto mais há avanço na obra e as medições são reportadas, mais próximas elas estão de receber.
Informação 3: Gargalo
Uma dor indireta da liderança da obra foi revelada neste processo de descoberta. Muitas vezes, o que poderia ser resolvido por mensagem precisa de um engenheiro chefe para ser resolvido pessoalmente, já que ele é a voz de comando da obra no relacionamento com outros profissionais e empresas.
Informação 4: Processos
O uso de planilhas como ferramenta de gestão se repetiu como ferramenta mais importante nos relatos. Em grandes obras as planilhas são documentos confidenciais e ferramentas de extrema importância para as empresas de engenharia. São consideradas insubstituíveis e integram o treinamento e a rotina do engenheiro responsável pela obra e o gestor.
A hipótese do projeto é que nem sempre as equipes de campo têm o melhor conhecimento ou dispõem das melhores ferramentas para coletar e reportar os dados aos engenheiros-chefes.
Outra hipótese é que obras menores têm problemas muito diferentes em relação a gestão de recursos e tempo de execução da obra.
O Resultado
A pesquisa foi aplicada com o apoio da plataforma de captura de Leads via LinkedIn. Dos 500 contatos da plataforma, apenas 14% dos e-mails foram capturados, ou seja, 87 pessoas.
Das 87 pessoas, 66 responderam e 17 pessoas deixaram seus contatos.
A pesquisa também foi disparada em um grupo de WhatsApp de profissionais de engenharia.
48,5% responderam que lista de papel e caneta é a ferramenta mais utilizada para coletar os dados da obra,
Enquanto 39,4% responderam que coletam por celular via aplicativo. Isso provou que a hipótese do projeto de que empresas e engenheiros não dispõem dos melhores recursos e ferramentas se provou verdadeira.
Falta, erro ou imprecisão dos dados e informações da obra também liderou o ranking de respostas com 64,6% como a principal insegurança no gerenciamento da obra.
A conexão entre o diário de obra e o relatório, preservar o valor das planilhas privilegiando uma exportação em XLS, segmentar a permissão protegendo o acesso aos dados de relatório e planilhas das construtoras destacam-se como pontos importantes na hora de definir uma solução.
Outro ponto importante seria prever a importância do uso de ferramentas de gestão como Microsoft Project na cadeia de interação na interação entre gestor, engenheiro-chefe e financeiro.
Visão clara do planejamento em relação ao controle de custos ficou em com 46,2% das respostas.
Concluímos que engenheiros-chefe, gestores da obra e financeiro são uma amostra importante para teste dentre a população para teste, considerando os pontos sensíveis do final da jornada na geração do relatório como prioritários.
Próximos passos
Nosso último encontro virtual foi sobre como transformar o resultado da pesquisa em caminhos para desenhar e testar solução.
Discovery para ajudar a decidir quais recursos priorizar ou criar durante o processo de produção e apontar os caminhos para serem testados.
Antes de imaginar a solução, limitando em um formato de aplicativo, elencamos uma lista de prioridades e funções quando o assunto é gestão de obras.
Assim, o formato da solução irá depender do recorte do problema: se fosse na fase de geração do relatório, por exemplo, a solução provavelmente seria uma aplicação para desktop.
Se fosse para melhorar a gestão dos recursos e tarefas no canteiro de obra, a solução poderia ser um App mobile ou tablet, até mesmo um Super App com diversas funções dentro e com integração para outros aplicativos externos.
As possibilidades eram muitas, e a solução dependeria mais da empresa na hora de tomar a decisão de negócio, visando o seu forte junto com a otimização de recursos para lançamento de um MVP perante aos demais competidores do mercado e oportunidades de gerar resultado a partir das descobertas da pesquisa.
Conclusão
Da última vez que nos falamos, o projeto já tinha executado 2 testes de usabilidade. Espero que essa história tenha sido um bom relato de como o UX Research pode ajudar a definir melhores hipóteses e produtos que criem valor para empresa a partir das necessidades do usuário. Obrigada.